Circulamos pelas ruas de todos os dias usufruindo apenas do seu carácter utilitário.
“Ruas” é uma tentativa de perceber se isso é uma evidência definitiva ou
consequência de uma distração. A crença é que cada rua armazena uma placa que
se transforma num portal, desviando-nos da farmácia, das finanças ou do Pingo
Doce. Uma herança que nos permite errar por um mapa que já existiu, mas que
permanecia escondido.
João Amorim assume neste espetáculo a conceção cénica e a interpretação,
conduzindo a investigação a partir do corpo e da presença. É do seu olhar que nasce
o impulso inicial, para imaginar um plano adicional à existência de cada
local.Candido Almeida, músico e amigo, junta-se ao projeto depois da experiência
partilhada em Song Tailors. Reencontramo-nos agora num outro contexto,
percebendo como a sua experiência curiosa e autodidata se revela essencial tanto
no registo da pesquisa como na criação das paisagens sonoras que atravessam e
ampliam a cena.
João Amorim participou em vários projetos de teatro amador, bem como na organização de Festivais de Teatro (FESTOLA). Foi neste meio que, através das experiências proporcionadas pela Banda de Música de Carregosa e URATE, desenvolveu o seu interesse inviolável pelas artes do espectáculo e pela organização/gestão de eventos. Concluiu em 2016 a Licenciatura de Teatro e Educação na Escola Superior de Educação de Coimbra. Desde então tem desenvolvido, de forma ininterrupta projectos como ator, encenador, dramaturgo, e, professor. Em 2021 funda, em Oliveira de Azeméis, a estrutura teatral Bandevelugo. De momento é professor na escola profissional de teatro JOBRA, encenador do Centro Artes de Vale de Cambra, e do Teatro Amador de Loureiro. Encontra-se ainda em processo de criação do espetáculo “O Ano da Morte de Ricardo Reis” (Bandevelugo), “Girafo” (Imaginar do Gigante), e, “Ruas” (Festival Alavanca).